quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Deve a escola permitir o uso da linguagem abreviada utilizada nos telemóveis?
Linguagem abreviada dos telemóveis chega à escola
Tendência. Jovens levam a sua escrita rápida das mensagens para os trabalhos da escola e há professores receosos de que isso os confunda na aprendizagem correcta do Português. As escritoras Lídia Jorge e Isabel Alçada defendem que escola e professores não podem transigir no rigor da língua
Há jovens que usam escrita de 'msn' nos testes
Nas mensagens que a toda a hora trocam entre si por telemóvel, ou na comunicação instantânea do messenger, os adolescentes não têm tempo a perder. As palavras transformam-se, por isso, em abreviaturas povoadas de "k" e "x" e há sinais que ganham usos criativos, como os parêntesis, prontamente transformados em sorrisos, ou tristeza. A prática está de tal forma generalizada, que já chegou aos trabalhos e aos testes da escola. Os alunos admitem-no, os professores confirmam.
"Usei muito as abreviaturas, até mesmo nas fichas escolares. Por exemplo, em vez de 'porquê' colocava 'pk' e tirava todas as vogais da palavra 'contigo'", contou à Lusa Carolina Lourenço, de 13 anos, que frequenta a Escola Básica 2,3 Pedro Nunes, em Alcácer do Sal. Os professores não deixaram passar em claro. "Toma atenção, não estás ao computador", disseram-lhe. A mãe também a alertou para "ter mais cuidado com a Língua Portuguesa".
Rosário Antunes, professora de Português no Estabelecimento de Vilamar, no Funchal, que já ensinou em escolas de Castelo de Paiva, Lousã, Portalegre e Porto Santo, disse à Lusa que encontrou esse cenário em todas as escolas por onde passou e, "abrangendo alunos dos 10 ao 17 anos", viu exemplos dessa nova escrita "até nos testes".
Esta professora diz-se preocupada porque, por um lado, os jovens estão a "esquecer-se da pontuação, e a abandonar as cedilhas e os acentos". Por outro, garante, "há colegas de outras disciplinas que não estão para se maçar a corrigir o Português".
Para a escritora Lídia Jorge, este fenómeno não é novo. "Quando dei aulas, os alunos também usavam abreviaturas, que vinham da estenografia. Hoje, o fenómeno é mais generalizado, porque os instrumentos que o facilitam estão disseminados", afirmou ao DN a autora de 'O Vento Assobiando nas Gruas'.
Olhando para esta realidade como uma "linguagem de grupo" e "um fenómeno epocal" ou "de geração", Lídia Jorge considera que ele deve ser assim encarado e acredita que "a síntese de linguagem desta geração" se manterá como tal, se a escola desempenhar o seu papel de garante do rigor da língua" e os professores não consentirem no uso dessa escrita abreviada e sem regras gramaticais e de sintaxe no contexto da aprendizagem. "Faz parte do papel da escola conter a deriva que leva à degradação da língua, e penso que os professores estão conscientes disso", diz a escritora ao DN.
Quanto aos jovens e às famílias, é importante que compreendam que "é a articulação correcta da língua que sustenta o pensamento correcto". Se houver laxismo no uso da linguagem, "não é possível atingir a excelência", alerta a escritora.
A coordenadora do Plano Nacional da Leitura, e também escritora, Isabel Alçada partilha a opinião. "Se no ambiente familiar e na escola for claramente definida a fronteira entre a linguagem abreviada do telemóvel e a escrita necessariamente rigorosa do contexto escolar, os jovens aprendem a distinção e passam a usar as duas linguagens nas situações adequadas", defende. "Se houver o cuidado da correcção, por parte da família e professores, os jovens depressa absorvem o rigor da língua", diz ao DN Isabel Alçada.
Filomena Naves, com Lusa
Diário de Notícias [03.08.2008]
terça-feira, 21 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Verbo «convir»
Isto diz-lhe respeito, Raul
No programa de informação Este Sábado, na Antena 1, com Rosário Lira, o jornalista Raul Vaz, a propósito dos novos eurodeputados portugueses, disse: «Alguns prometem voltar cedo se o resultado das eleições for aquele que mais convir.» O verbo convir (e os verbos avir, convir, desavir, entrevir, intervir, provir, sobrevir…) conjuga-se como o verbo vir. Logo, o futuro imperfeito do conjuntivo é convier (convier, convieres, convier, conviermos, convierdes, convierem). Se todos temos de ter cuidado com a forma como escrevemos e falamos, muito mais cuidado terá de ter um jornalista. Espero que a dúvida não tenha que ver com o modo. O modo conjuntivo indica a eventualidade e a possibilidade, o que se adequa ao desconhecimento que se tem do futuro. Neste caso, o resultado das eleições. O erro talvez advenha do facto de o futuro imperfeito do conjuntivo e o infinitivo impessoal dos verbos irregulares, e este é-o, terem formas diferentes, ao contrário do que sucede com os verbos regulares, que têm formas idênticas naqueles tempos.
Fonte: Assim Mesmo
sábado, 4 de julho de 2009
«Vontade de»
Ganas
Tal como o jornalista Licínio Lima errou na regência verbal («coibir de»), também a jornalista Patrícia Jesus erra na regência nominal destacada: «Os sindicatos dos professores estão satisfeitos com a vontade demonstrada por Manuela Ferreira Leite para mudar os estatutos do Aluno e da Carreira Docente, o sistema de avaliação e aliviar a carga burocrática dos professores» («Promessa sobre nova avaliação agrada a professores», Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 3.07.2009, p. 17). A regência daquele substantivo faz-se com a preposição de: vontade de (como intenção de).
Fonte: Assim Mesmo
domingo, 21 de junho de 2009
Pronome relativo «quem»
Quem disse?
«O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, segundo quem podem ser dispensados da prova os professores que tiverem classificação de Bom ou mais na avaliação» («Professores com Bom não fazem prova de ingresso», C. S., Correio da Manhã, 13.06.2009, p. 23). Só queria que reparassem no uso relativamente invulgar do pronome relativo quem neste tipo de construção. É muito mais comum encontrarmos a construção «segundo o(a) qual». Contudo, neste caso, por se referir a uma pessoa, foi correctamente usado. Esta é mesmo a única possibilidade de usar este pronome relativo sem estar antecedido de preposição (e algumas gramáticas editadas no Brasil afirmam, incorrectamente, que este pronome só pode aparecer preposicionado), funcionando como sujeito da oração. Quem é o acusativo latino (quĕm) dos pronomes relativo, interrogativo e relativo indefinido qui, quis, tendo passado a desempenhar funções na língua portuguesa tanto de complemento como de sujeito de oração. Em espanhol, quien desempenha as mesmas funções sintácticas, mas, ao contrário do português, varia em número: ¿Quiénes son los mejores músicos del país? Em catalão, o pronome relativo referente a pessoas é qui, do latim quī: L’home de qui parlàvem.
Fonte: Assim Mesmo
terça-feira, 2 de junho de 2009
O que é «uma eminência parda»?
Eminência parda é alguém, um conselheiro, por exemplo, que está próximo de uma alta personalidade e que ocultamente toma todas as decisões. É a tradução do francês éminence grise, que era o nome que se dava ao padre Joseph de Tremblay (1577–1638), conselheiro do cardeal de Richelieu (1585–1642). Parda porque manobrava na sombra e porque vestia o hábito, negro, de capuchinho, a cuja ordem pertencia.
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